5 graphic novels emocionantes que você não pode deixar de ler

Quem nunca se emocionou assistindo a um filme, ouvindo uma música, apreciando um quadro ou qualquer outra forma de arte?

Mas é possível também chorar, rir, suspirar, ficar revoltado, lendo uma história em quadrinhos?

A resposta é: claro que sim! 

Trago nesta postagem uma lista de cinco graphic novels que me emocionaram muito e que você precisa ler um dia. 

Futuramente, pretendo fazer uma resenha sobre cada uma delas.

1 – “Retalhos” de Craig Thompson

Posso dizer com toda a segurança que existe um Ronaldo leitor de quadrinhos antes e depois de Retalhos. Gostei dessa HQ logo de cara, quando li uma matéria sobre ela em um jornal. É a história autobiográfica do autor sobre o seu primeiro amor, descobertas e frustrações da adolescência. Eu a classificaria como uma graphic novel de formação. Fiquei impressionado como a história de Craig Thompson, passada no frio do estado americano de Wisconsin, poderia se conectar tanto com a minha, na calorenta Birigui, no interior de São Paulo. 

2 – “Maus” de Art Spiegelman

Retratar o horror do holocausto em uma obra de arte é uma coisa complicada. Acredito que nunca conseguirão chegar perto do quão terrível foi esse momento da história. A tarefa pode ser mais difícil ainda em uma HQ com animais antropomorfizados. Porém, Art Spiegelman consegue superar esse desafio ao criar uma das mais emocionantes graphic novels de todos os tempos. Ela conta a história do pai do autor, um sobrevivente dos campos de concentração nazistas. É também uma narrativa sobre a relação quase sempre conturbada entre pais e filhos.  

3 – “Cicatrizes” de David Small

Em uma obra visceral, com alguns toques de fantasia, David Small narra a cirurgia pela qual passou quando criança, por conta de um câncer, que lhe deixou uma profunda cicatriz no pescoço e quase o fez perder a voz. Além disso, o autor fala do difícil relacionamento com sua mãe autoritária e a decisão de sair de casa aos 16 anos para viver de sua arte. Adoro as sequências silenciosas de quadros desta obra. 

4 – “Umbigo Sem Fundo” de Dash Shaw

A separação de qualquer casal já costuma ser algo triste. Mas uma separação  após 40 anos de casado, como é o caso dos personagens Maggie e David Loony, me pareceu mais melancólica ainda. Confesso que chorei um pouco com os últimos quadrinhos… Enfim, voltando ao enredo, o divórcio dos dois reúne novamente pais, filhos e netos. Nesse reencontro, muitas coisas sobre a família vem à tona. Muitas descobertas acontecem. Meu personagem favorito é o caçula Peter. Um solitário, incompreendido e aspirante a cineasta, que é retratado como um sapo. 

5 – “Fun Home” de Alison Bechdel

Nesta graphic novel, a autora nos conta a história da relação dela com seu pai, que supostamente se matou algum tempo depois de ela revelar para a família que era lésbica. O pai de Bechdel é envolto em mistérios. Ninguém sabe, na verdade, se foi suicídio ou um acidente que o matou. Provavelmente, ele também era homossexual, mas nunca assumiu isso. Ela também conta sobre sua infância, os primeiros contatos com livros e a arte e as lembranças que tem da funerária da família.

Quais foram as HQs mais emocionantes que vocês já leram? Escreva aqui nos comentários!

Resenha #2: ‘O Ninguém’ de Jeff Lemire

A minha cidade de Birigui – capital nacional do calçado infantil – não é grande, mas com certeza não é menor do que Boca Larga – lar do maior robalo do mundo – onde se passa a história de “O Ninguém”, uma HQ de um dos maiores artistas e roteiristas do momento, o canadense Jeff Lemire.

Fico pensando que a chegada de um sujeito nunca visto antes por estas bandas, com o corpo todo coberto de bandagens e usando um par de óculos escuros, provocaria bastante comentários entre os mais de 120 mil habitantes de Birigui. 

Agora, imagine só o barulho que esse fato pode causar em uma cidadezinha de apenas 754 habitantes, como Boca Larga, onde praticamente nada de novo acontece? 

O nome do forasteiro é John Griffen. Ele passa praticamente o tempo todo recluso em um quarto alugado. Na solidão desse cômodo, ao retirar as bandagens em uma sequência magistral, o leitor descobre que ele é invisível.

Porém, esse não é o único segredo que Griffen quer guardar se isolando em Boca Larga. Mas nada de spoilers…

Uma adolescente chamada Vickie se aproxima do novo morador para descobrir a verdade que se esconde por trás daquelas faixas.

No entanto, quando os pacatos habitantes de Boca Larga suspeitam que um crime foi cometido na cidade, iniciam uma verdadeira caça ao estranho, mesmo sem provas concretas contra ele. 

Aliás, nem que se tivessem provas contra Griffen, que não é nenhum santo, eles poderiam fazer justiça com as próprias mãos, como se fossem o juri, o juiz e o executor, tipo um Juiz Dredd da vida. 

H. G. WELLS

“O Ninguém” é uma releitura do romance de ficção científica “O Homem Invisível” de H. G. Wells para os dias de hoje.  A graphic novel mostra como o ser humano pode cometer as piores injustiças quando se reúne em turba para perseguir pessoas que classificam como “estranhas” e/ou que consideram a razão de todos os seus problemas.

De Jeff Lemire, eu já tinha lido “Nada a Perder”, que é uma graphic novel muito boa também. Porém, acredito que “O Ninguém” seja um trabalho superior.

Quem quiser aprender como narrar uma história em quadrinhos tem nesta obra um verdadeiro manual. 

O autor sabe aplicar um tom melancólico à cidade por meio de sequências silenciosas, com muitas imagens de neve e uma sensação de frio obtida pela mistura das cores azul, preta e branca. Seus desenhos parecem simples, mas não se engane. Eles são muito complexos e carregam bastante expressividade. 

Gostei muito da técnica usada por Lemire que consiste nos recordatórios contarem uma história narrada por Vickie, que vai se passar em nossa imaginação, enquanto os quadros mostram outras cenas. 

É preciso ressaltar que a editora Pipoca e Nanquim fez uma edição primorosa. O posfácio de Alexandre Callari fecha a obra com chave de ouro.

Recomendadíssimo.