
Quem nunca ouviu alguém falar aquela velha frase: “a única certeza que temos na vida é que vamos morrer”? A morte é a única coisa com a qual não devemos teimar, correto? Afinal, todos vamos morrer. Porém, Lana, a teimosa protagonista de “Penumbra”, do escritor André Vianco, insiste em não aceitar que a vida chegou ao fim e se recusa a ir em direção à luz.
Em seu leito de morte, ela prometeu que nunca se esqueceria da mãe. Mas, em Penumbra, o lugar para onde Lana foi após falecer, não se esquecer do mundo dos vivos é um grande problema. A cada lembrança de Lana, relâmpagos surgem no céu escuro. Na verdade, esses clarões significam que atravessadores descobriram a localização da menina e estão indo ao seu encontro.
Os atravessadores usam a energia de crianças como Lana para ir ao mundo dos vivos rever seus entes queridos. Eles são crianças que se tornaram criaturas monstruosas presas à Penumbra, por se recusarem a deixar suas lembranças para trás e começarem uma nova jornada no post-mortem.
Se Lana não parar de ser teimosa, pode acabar se juntando a eles. Cheia de energia, ela é ideal para ser usada pelos atravessadores, que em sua teimosia egoísta, acabam atormentando os vivos, os quais também não conseguem seguir em frente no nosso mundo por causa das lembranças dolorosas.
Para garantir a segurança das crianças mortas durante a passagem, existe em Penumbra a Babá Osso Duro. Ela é uma mulher de rosto cadavérico e que, carregando um trabuco, não desiste de cumprir sua missão. Pelo menos, não até encontrar a “menina certa” e poder partir em paz.
No entanto, acredito que ela nunca teve que encarar em sua morte um desafio tão grande quanto Lana. Se eu fosse a Osso Duro, já tinha jogado Lana aos atravessadores na segunda vez que ela insistisse em recordar o rosto da mãe.
Acompanham Lana e a babá o medroso Jorge e um coelho comilão, que vai ficando cada vez maior no decorrer da caminhada. Quem já fez os cursos, assistiu às palestras ou webinários do André Vianco sobre storytelling, vai ficar feliz ao encontrar neste livro algumas “mensagens” para quem também ama escrever histórias.
A escrita do André Vianco é bastante fluida. O leitor saboreia cada palavra com gosto. É possível terminar a leitura em apenas um dia por conta de seu ritmo agradável. A simbologia e a criação do mundo inconfundível de Penumbra também são fascinantes.
Obviamente, não vou revelar o final. Posso dizer apenas que ele é surpreendente e que os mais sensíveis podem até derramar algumas lágrimas.