Resenha #12: “Hellraiser: Renascido do Inferno” de Clive Barker

O que você faria para ter o que deseja? Trairia? Venderia sua alma? Mataria alguém?

O livro “Hellraiser: Renascido do Inferno”, do escritor inglês Clive Barker, mostra que o ser humano, quando busca irracionalmente apenas satisfazer seus prazeres, pode se tornar um monstro e pagar um preço alto demais por isso.

PERSONAGENS

Frank Cotton é um niilista e após desfrutar várias depravações sexuais ficou entediado com a vida. Ele ouve falar da caixa de Lemarchand que daria acesso a uma dimensão de prazeres indescritíveis para quem conseguisse decifrar seu enigma.

Porém, após obtê-la, Frank descobre da pior forma possível que sua concepção de prazer é muito diferente das criaturas que vivem na Cisão, conhecidas como Cenobitas, as quais se deliciam com dor e sofrimento.

Rory é irmão de Frank e se muda com sua mulher, Julia, para a casa que herdou da avó, a mesma em que Frank fez o ritual para invocar os Cenobitas.

Julia está infeliz com seu casamento e descobrimos que ela teve um caso com Frank, quando ainda era noiva. Após Rory se ferir, Frank usa seu sangue caído no chão para entrar em contato com Julia e pede sua ajuda para sair da Cisão. Vislumbrando a possibilidade de estar com Frank novamente, ela fará tudo — tudo mesmo— para libertá-lo.

Kirsty é a melhor amiga de Rory. Ela é uma mulher triste e Julia a detesta.

DINÂMICO

A escrita de Barker é bastante dinâmica. O livro tem muita ação e, por ser curto, pode ser lido em um dia. Eu gosto muito de ler devagar, prestando atenção nos detalhes, e tive dificuldade para me conter, porque sempre ficava curioso para saber o que aconteceria em seguida.

A obra agrada tanto quem, assim como eu, gosta de terror sobrenatural com uma pegada de ocultismo, quanto os que curtem gore, por causa das cenas de violência extrema.

O autor não se preocupa muito em descrever fisicamente os personagens, dando maior importância às suas características internas. Já os Cenobitas são descritos como criaturas cheias de cicatrizes, presas pela carne por argolas e correntes, que possuem cheiro de baunilha para disfarçar seu fedor. Mas, infelizmente, terminei o livro querendo saber mais sobre eles.

Durante a narrativa, embora seja um livro narrado em terceira pessoa, o ponto de vista das cenas se alterna entre os personagens, com exceção de Rory, que é um tanto apagado na história. Kirsty também só terá relevância depois do meio da trama.

CLÁSSICO OBRIGATÓRIO

A edição da Darkside é muito bonita, com capa de couro que remete ao estilo sadomasoquista dos Cenobitas e uma ilustração dourada da caixa de Lermarchand.

“Hellraiser: Renascido do Inferno” é um clássico do terror com várias adaptações para o cinema e graphic novels, além de jogos. É leitura obrigatória para os fãs do gênero.

E aí, já leu Hellraiser? O que achou? Ficou com vontade de ler? Escreva nos comentários sua opinião!