Resenha #5: “Os 300 de Esparta” de Frank Miller e Lynn Varley

Resenha #5: "Os 300 de Esparta" de de Frank Miller e Lynn Varley

A graphic novel “Os 300 de Esparta” de Frank Miller e Lynn Varley é, principalmente, uma história sobre resistência.

A HQ retrata a Batalha das Termópilas, ocorrida em 480 a.C. e que foi registrada pelo historiador grego Heródoto, quando 300 guerreiros espartanos, comandados pelo rei Leônidas, tentam impedir o avanço do imperador persa Xerxes sobre o território grego.

Mas não pense que a graphic novel é baseada fielmente em fatos históricos, até porque é muito difícil afirmar com toda a certeza o que aconteceu realmente nesse episódio.

Frank Miller faz uma adaptação do evento, um pouco romantizada até, transformando-o em um verdadeiro épico de coragem e determinação de um povo que não aceita se curvar. 

Espartanos X Persas

A Grécia é apresentada por Miller como o único lugar do mundo, na época, governado pelos princípios de Justiça, Razão e Liberdade. Mas ao contrário dos demais gregos, além desses valores, os espartanos têm a guerra como ofício. O exército de Esparta só admite os melhores e o treinamento deles é rigoroso. Fraqueza, piedade e medo não são sentimentos aceitos. 

Seu líder é o rei Leônidas, o protagonista da HQ. Criado desde cedo para ser um guerreiro, Leônidas é um rei austero. Porém, como todo grego de seu tempo, tinha muito apreço pela moderação e não admitia excessos. Por isso, ele é mostrado como um homem muito justo. 

Por outro lado, o inimigo de Esparta, o Império Persa é tirânico e selvagem. O imperador Xerxes acredita ser um deus e deseja expandir seu território, que já possui mais de cem nações. 

Xerxes quer que Esparta e toda a Grécia se curvem a ele. Entretanto, apesar de estarem em número menor, Esparta não aceita fazer parte do Império Persa. 

O exército espartano, então, com apenas 300 homens, enfrenta sem recuar os milhares de guerreiros persas, provocando-os sempre e derrotando-os humilhantemente. 

"Os 300 de Esparta"

Melhor fase de Miller

Acredito que Miller está na sua melhor fase como roteirista e desenhista nesta HQ. Sou muito fã de seu traço original, de seus enquadramentos, que, aliás, se transformaram em verdadeiras obras de arte com a pintura de Varley. Para mim, o formato widescreen e a narrativa de “300” continuaa inovadores ainda nos dias de hoje. 

A HQ foi publicada pela primeira vez em 1998 pela Dark Horse. Tanta qualidade lhe valeu um prêmio Eisner de melhor minissérie no ano seguinte. No Brasil, a Editora Abril a publicou em cinco edições e, depois, a Devir a reeditou em volume único. Em 2007, “Os 300 de Esparta” foi adaptado para o cinema pelas mãos Zack Snyder.

Quem ama quadrinhos de verdade não pode deixar de ler esta obra-prima sobre um povo que nega ter sua liberdade esmagada por um império poderoso e autoritário, nem que isso lhe custe preciosas vidas. 

"Os 300 de Esparta"

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5 graphic novels emocionantes que você não pode deixar de ler

Quem nunca se emocionou assistindo a um filme, ouvindo uma música, apreciando um quadro ou qualquer outra forma de arte?

Mas é possível também chorar, rir, suspirar, ficar revoltado, lendo uma história em quadrinhos?

A resposta é: claro que sim! 

Trago nesta postagem uma lista de cinco graphic novels que me emocionaram muito e que você precisa ler um dia. 

Futuramente, pretendo fazer uma resenha sobre cada uma delas.

1 – “Retalhos” de Craig Thompson

Posso dizer com toda a segurança que existe um Ronaldo leitor de quadrinhos antes e depois de Retalhos. Gostei dessa HQ logo de cara, quando li uma matéria sobre ela em um jornal. É a história autobiográfica do autor sobre o seu primeiro amor, descobertas e frustrações da adolescência. Eu a classificaria como uma graphic novel de formação. Fiquei impressionado como a história de Craig Thompson, passada no frio do estado americano de Wisconsin, poderia se conectar tanto com a minha, na calorenta Birigui, no interior de São Paulo. 

2 – “Maus” de Art Spiegelman

Retratar o horror do holocausto em uma obra de arte é uma coisa complicada. Acredito que nunca conseguirão chegar perto do quão terrível foi esse momento da história. A tarefa pode ser mais difícil ainda em uma HQ com animais antropomorfizados. Porém, Art Spiegelman consegue superar esse desafio ao criar uma das mais emocionantes graphic novels de todos os tempos. Ela conta a história do pai do autor, um sobrevivente dos campos de concentração nazistas. É também uma narrativa sobre a relação quase sempre conturbada entre pais e filhos.  

3 – “Cicatrizes” de David Small

Em uma obra visceral, com alguns toques de fantasia, David Small narra a cirurgia pela qual passou quando criança, por conta de um câncer, que lhe deixou uma profunda cicatriz no pescoço e quase o fez perder a voz. Além disso, o autor fala do difícil relacionamento com sua mãe autoritária e a decisão de sair de casa aos 16 anos para viver de sua arte. Adoro as sequências silenciosas de quadros desta obra. 

4 – “Umbigo Sem Fundo” de Dash Shaw

A separação de qualquer casal já costuma ser algo triste. Mas uma separação  após 40 anos de casado, como é o caso dos personagens Maggie e David Loony, me pareceu mais melancólica ainda. Confesso que chorei um pouco com os últimos quadrinhos… Enfim, voltando ao enredo, o divórcio dos dois reúne novamente pais, filhos e netos. Nesse reencontro, muitas coisas sobre a família vem à tona. Muitas descobertas acontecem. Meu personagem favorito é o caçula Peter. Um solitário, incompreendido e aspirante a cineasta, que é retratado como um sapo. 

5 – “Fun Home” de Alison Bechdel

Nesta graphic novel, a autora nos conta a história da relação dela com seu pai, que supostamente se matou algum tempo depois de ela revelar para a família que era lésbica. O pai de Bechdel é envolto em mistérios. Ninguém sabe, na verdade, se foi suicídio ou um acidente que o matou. Provavelmente, ele também era homossexual, mas nunca assumiu isso. Ela também conta sobre sua infância, os primeiros contatos com livros e a arte e as lembranças que tem da funerária da família.

Quais foram as HQs mais emocionantes que vocês já leram? Escreva aqui nos comentários!