Tristezas Velhas, Novas Esperanças

Não me recordo exatamente como era o trecho, mas me lembro que o escritor Thomas Mann, em uma passagem de seu livro “A Montanha Mágica”, disse que a gente só sabe que é Ano Novo por causa dos sinos e fogos de artifício que o anunciam. A natureza em si continua impassível, sem dar sinal de mudança.

Nós vivemos em uma era muito racionalista, o que é bom. Por outro lado, sei que isso, quando levado ao extremo, tira muito da poesia do cotidiano.

Eu já odiei muito as festas de fim de ano. Costumava desejar aos meus amigos, em tom de deboche, que eles tivessem uma boa volta completa em torno do sol.

Realmente, os dias são como todos os outros depois de 1º de janeiro. Hoje é terça-feira, amanhã será quarta. Haverá um dia e uma noite. Nada de novo sob o sol. O dia de hoje poderia ser batizado como dia 32 de fevereiro que não sentiríamos a menor diferença.

Mas como a vida seria insuportável se não existissem coisas como o ano passado. A ideia de que algo doloroso aconteceu há um ano é confortadora. Se não houvesse esse ponto final no dia 31 de dezembro, o sofrimento seria contínuo. Com o passar do ano novo, a tristeza vai ficando velha e vamos superando-a.

O Ano Novo também traz esperança. Se algo não deu certo neste ano, bom, no próximo ano poderá dar certo.

Quando era criança e minha mãe trazia um calendário do próximo ano do supermercado — a famosa “folhinha” — eu ficava contemplando todos aqueles dias que estavam por vir, tentando imaginar o que aconteceria. Certa vez, contei isso para ela. “Xi! Só desgraça!”, minha mãe comentou.

Já passei por algumas coisas na vida que me permitem dizer que não existem anos completamente bons, mas que também não existem anos completamente ruins. Coisas boas e más acontecem alternadamente o ano inteiro.

Mas que se dane! Quero olhar para o calendário como aquele garotinho e pensar que tenho 365 novas oportunidades para realizar os meus sonhos.

O que achou desta crônica? Escreva nos comentários e não deixe de curtir este post se você gostou!