Resenha #7: “O Último Desejo: A Saga do Bruxo Geralt de Rívia – Volume 1” de Andrzej Sapkowski

Uma das perguntas que me fiz ao terminar de ler “O Último Desejo”, o primeiro livro da saga The Witcher, do escritor polonês Andrzej Sapkowski, foi esta: quem são os verdadeiros monstros nesta história? As criaturas fantásticas ou os humanos?

O protagonista Geralt de Rívia é um bruxo, mas não se deve confundi-lo com um feiticeiro ou mago. Seu ofício por natureza é caçar monstros, sendo que não se pode dizer que ele é um humano normal, uma vez que foi forçado desde criança a se tornar um “mutante”.

Por conta disso, ele não é bem-vindo em praticamente nenhum lugar aonde vai, embora seu trabalho faça a vida das pessoas ser mais segura. Mesmo sofrendo preconceitos, Geralt acredita pacientemente nos homens e busca ser igual a eles, o que nem sempre é bom, já que o leva a cometer os erros humanos e se afastar das virtudes de um bruxo.

No mundo em que vive, os monstros estão ficando raros. O que mais Geralt encontra ou é contratado para eliminar são pessoas que foram amaldiçoadas e se tornaram criaturas horríveis. O bruxo de Rívia, porém, tem um código moral pessoal: não mata seres humanos sem qualquer motivo, mesmo transformados em monstros, nem criaturas racionais.

Uma passagem do livro que me chamou a atenção e me fez refletir um pouco foi um diálogo entre Geralt e o elfo Filavandrel, em uma circunstância complicada para o bruxo, no conto “Os Confins do Mundo”. O elfo diz que sua raça sempre tratou o que a natureza oferece como se fosse um tesouro. Já os homens buscam feri-la para obter seus benefícios.

Série X Livro

Eu não conhecia os livros de Sapkowski antes de assistir a série da Netflix, que achei muito boa por sinal. Para mim, a série tinha se inspirado nos jogos de videogame, que também fazem muito sucesso. “O Último Desejo” é formado por contos que não estão em ordem cronológica, assim como as histórias do Conan de Robert E. Howard, e que narram vários momentos importantes da vida de Geralt de Rívia. Os contos são intercalados por uma história em partes, chamada “A Voz da Razão”.

Alguns personagens da série de TV estão neste primeiro livro, como a feiticeira Yennefer e o trovador Jaskier. Aliás, Jaskier me garantiu algumas boas risadas durante a leitura. Ele e o bruxo parecem ser mais amigos nos contos do que na série. Geralt me pareceu mais bem humorado também. Quem já assistiu a série vai reparar que alguns episódios foram inspirados em histórias que estão neste volume.

A escrita de Sapkowski é leve e fácil. Existem muitos diálogos, o que faz o texto ser bastante arejado. Ao contrário do que já ouvi, os diálogos me pareceram bastante naturais, com muito uso do coloquialismo. As descrições são feitas com bastante imersão sensorial. Os personagens nos são apresentados fisicamente com algumas “pinceladas”, que vão, aos poucos, formando uma figura completa na imaginação do leitor.

Outra coisa legal é o uso de personagens do folclore eslavo e alusões aos contos de fada, como a Branca de Neve e os Sete Anões, Rapunzel, A Bela e a Fera, que são apresentados de uma forma mais semelhante com as histórias originais, que eram mais sombrias e menos romantizadas.

“Mal Menor”

Meu conto preferido foi “O Mal Menor”. No começo da história, Geralt acredita que existe apenas o mal. Mas, uma mulher chamada Renfri, que já foi princesa um dia, ensinará a ele, da forma mais dolorosa possível, que além de sempre existir um mal menor nas decisões que tomamos, existe um mal superior a todos os outros.

Gostei muito deste primeiro volume da saga e pretendo ler o segundo em breve.

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