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Baile na Sexta-Feira Santa

O pároco da cidadezinha de São Judas do Alto Tietê, padre Sidnei, bem que tentou alertar que uma desgraça aconteceria, mas de nada adiantou.

O prefeito Antônio decidiu promover um baile na noite de Sexta-Feira Santa no ginásio de esportes, já que o padre não liberou o salão de festas da paróquia.

— Os cofres da prefeitura estão vazios, enquanto as cestinhas de oferta da missa estão cheias — disse o prefeito ao padre ao sair da igreja.

A mãe de Ana, muito católica e amicíssima do padre Sidnei, não concordou com a decisão do prefeito.

— Onde já se viu darem uma festa no dia da morte do Nosso Senhor Jesus Cristo? E o prefeito ainda teve a cara de pau de pedir o salão da igreja.

— Mas Jesus não ressuscitou, mãe? — perguntou Ana, que acabara de completar dezessete anos e queria muito ir ao seu primeiro baile.

Além de não lhe dar permissão, por achar a filha nova demais para sair de casa à noite, a mãe de Ana a colocou de castigo por ser respondona.

Porém, na noite de sexta-feira, Ana abriu a janela do seu quarto, trancada apenas com um barbante amarrado entre os puxadores, e saiu para a rua. Com uns trocados furtados de um pote de biscoitos da mãe, ela entrou no baile.

Suas bochechas arderam ao ver um casal dançando agarrado. Ela olhou para as luzes quentes do palco, respirou a fumaça de gelo seco que envolvia a quadra e ouviu o forró tocado pela banda. Tudo isso provocou um arrepio em seu corpo.

Depois de passar algum tempo observando a movimentação, ela juntou algumas moedas que sobraram e trocou por uma ficha de refrigerante.

Enquanto esperava em frente à barraca montada com ferro e lonas, surgiu ao seu lado um rapaz com bastante gel nos cabelos pretos, vestido com uma camisa de cor roxa metalizada e calças vermelhas. Ana percebeu que ele não era da cidade. Nunca o tinha visto em São Judas. As outras pessoas também devem ter pensado a mesma coisa, pois olhavam de forma estranha para ele.

— Vou querer duas caipirinhas — pediu o rapaz, cortando a fila. Uma para mim e outra para essa moça aqui — disse ele, apontando para Ana.

Ana se surpreendeu com a atitude do rapaz.

— Desculpa, moço, mas minha mãe não me deixa beber. Aliás, eu nem te conheço.

— Mas eu sei quem você é, Ana.

— Como você sabe o meu nome?

O rapaz não respondeu nada, apenas sorriu. Ele pegou um dos copos e deu o outro para Ana. Sem saber ao certo o que fazer, Ana o virou de uma vez. O rapaz olhava para ela com copo dele na boca. 

A bebida queimou a garganta de Ana e depois ela sentiu um calor em seu peito. Ana, então, começou a se abanar com a mão. O rapaz riu. Passado alguns minutos, Ana teve uma leve tontura, que, apesar de esquisita, era agradável.

— Toma a minha caipirinha também — disse o rapaz entregando seu copo a Ana.

— Não. Só uma já é suficiente.

— Deixe de bobagem. Só mais uma não vai te fazer mal.

Como o moço insistia, ela tomou a bebida dele, da mesma forma que a primeira dose, de uma só vez. O segundo copo de álcool fez com que ela se soltasse. De repente, ficou mais animada, respondia as perguntas do rapaz espontaneamente e ria de tudo.

— Antigamente — disse o rapaz — as pessoas jejuavam na Sexta-feira Santa. Os mais velhos colocavam uma fatia de pão contra o sol. Se a luz passasse pelo pão, eles o comiam e aquela seria a única refeição do dia. Se não passasse, eles não comiam nada. Você não acha que um baile na Sexta-feira Santa é meio desrespeitoso? Sei lá, você não tem medo que, de repente, Deus mande um castigo?

— Eu acho que é um dia como outro qualquer. Jesus não vivia sempre em festas?

O rapaz gargalhou.

— Ele gostava mesmo.

— Mas me fala sobre você. Qual é seu nome?

— Adivinhe.

— Assim não vale.

— Vou dizer apenas que sou um cara de muita riqueza e bom gosto.

— Hummmm! Gostei!

Os dois riram.

— Vamos dançar — disse ele, puxando o braço de Ana.

— Mas eu não sei dançar.

— Deixa que eu te ensino.

Os dois foram para o meio da quadra. O rapaz explicou que era só dar dois passos para um lado e depois dois passos para o outro, que estava tudo certo. Ele apertou uma das mãos da moça e, com a outra, puxou o corpo dela de encontro ao seu. Ana tremeu e o calor em seu corpo aumentou.

Ela gostou do jeito que o rapaz sacudia a cintura. Em pouco tempo, Ana já dançava melhor. O rapaz se afastava para trás, girava Ana e depois a puxava novamente.

Os outros casais pararam por alguns instantes para observá-los, admirados com os movimentos ousados. Ana ficou sem jeito. Não estava acostumada a ser o centro das atenções. Mas logo todos se cansaram de ficar só olhando e voltaram a dançar.

Em certo momento, Ana e o rapaz se olharam nos olhos e seus rostos se aproximaram.

Porém, o rapaz franziu o rosto de repente e soltou um gemido.

Outro jovem que dançava perto se virou para pedir desculpas, porque achou ter pisado no pé do rapaz.

No entanto, ele se assustou ao ver o rapaz segurando uma cauda vermelha com uma seta na ponta. Ana olhou para baixo e gritou ao ver que os pés dele, na verdade, eram patas de bode. Seus olhos estavam vermelhos e faiscantes.

— Eu não desculpo ninguém — disse o rapaz indo na direção do jovem.

Com um soco, o rapaz arremessou o jovem na parede, atrás da última fileira de assentos da arquibancada. Todos gritaram.

Em seguida, ele lançou com os olhos uma rajada de fogo que incendiou o palco. As luzes explodiram e os cacos caíram sobre as pessoas que estavam na pista. Ana tentou se proteger com as mãos, mas os pedaços de vidro cortaram seus braços.

Ana viu que o rapaz desconhecido tinha se transformado em uma criatura parecida com um bode, com longos chifres retorcidos em espiral. “É o Diabo!”, concluiu apavorada.

A criatura vociferou e disparou mais fogo pelos olhos, desta vez, na direção da cesta de basquete, que desmoronou sobre o palco e os músicos. As pessoas começaram a correr para todos os lados, fugindo das chamas que se espalhavam rapidamente pelo ginásio.

Ana foi até a porta, empurrou a barra anti-pânico, que queimou suas mãos. Como se estivesse trancada com mil cadeados, a porta não cedeu nenhum milímetro.

A moça olhou para as suas mãos. Por detrás dos dedos em carne viva, Ana viu várias pessoas rolando no chão para apagar o fogo que consumia seus corpos. Entre elas, o prefeito Antônio. Outras já estavam carbonizadas. Algumas desmaiavam, como se estivessem com muito sono. Nunca mais acordariam.

O cheiro de carne assada sufocou Ana, que caiu de joelhos. Já não havia mais gritos, apenas os estalos do fogo destruindo o ginásio.

Em meio a fumaça, a criatura diabólica caminhou na direção da moça. Seus olhos vermelhos brilhavam. Lágrimas escorriam pelo rosto de Ana. O demônio ergueu uma das mãos, que passou a pegar fogo. Depois ele expirou fumaça pelas narinas.

Do lado de fora, bombeiros usando machados e serras derrubaram a porta do ginásio. Um estrondo ecoou pelo local. Enquanto uns tentavam controlar o incêndio, outros saíram em socorro às vítimas.

— Eu acho que não sobreviveu ninguém, comandante — disse um dos bombeiros após vasculhar o lugar.

Foi quando eles ouviram um gemido vindo debaixo de uma pilha de madeiras. Rapidamente levantaram os escombros e encontraram uma moça.

Era Ana.

Um bombeiro mediu sua pulsação. Ela estava viva.

***

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Ser Adulto

Quando eu era criança, tinha uma ideia bem clara do que era ser adulto: ir a um bar na rua Conselheiro Antônio Prado, no Centro de Birigui, sentar em um dos banquinhos ao redor do balcão; pedir um cigarro e uma cerveja. E, depois, conversar com os outros adultos que estavam lá sobre as coisas mais importantes da vida, como política e os problemas do País.

Naquela época, não tinha a menor vontade de ser adulto. Enquanto meus amigos queriam completar 18 anos logo, para terem uma carteira de motorista, eu queria que o tempo passasse o mais lentamente possível. “Você quer ficar pequeno para sempre?”, perguntava minha mãe. Sim, eu queria. Não era à toa que eu gostava tanto do Peter Pan, o personagem de histórias infantis que se recusava a crescer. 

Mas, como não é possível parar o fluxo da mudança ao qual nosso mundo está condenado, logo eu estava em uma “terra de gigantes”, como diz aquela música do Engenheiros do Hawaii. 

A “idade da razão” chegou para destruir o conceito claro que eu tinha sobre ser adulto. Hoje, pergunto-me se alguns dos hábitos que ainda tenho são infantis e se tenho responsabilidades suficientes para me considerar um homem maduro. 

Um dia, perto de completar 32 anos, fui a um bar, bem pequeno, na rua Conselheiro Antônio Prado. Sentei-me em um dos banquinhos ao redor do balcão. Olhei para a prateleira com vários cigarros de embalagens bonitas. Não comprei nenhum, pois não fumo. Pedi um refrigerante, porque estava de moto e, por isso, não podia beber nada que tivesse álcool.

Havia alguns homens mais velhos sentados em uma mesa do lado de fora. Porém, por ser tímido, não entrei na roda de conversas. Um deles falava de uma dor terrível que sentia e que perturbava seu sono à noite. A dor é realmente uma coisa de adulto. Nunca senti tantas dores como sinto hoje: doem-me os pés, a cabeça, a coluna. 

Fui embora sentindo que tinha completado um rito de passagem. Mas, fora a certeza de que viver sentindo dor é um sintoma de ser adulto, as dúvidas ainda me perseguem. Talvez ser adulto seja isso: nunca ter a ingênua certeza sobre nada. 

O Jantar

Jamais imaginei que iria reencontrá-lo. Ainda mais na imensa São Paulo, tão longe da nossa cidadezinha natal no interior do Estado.

Minha esposa havia combinado um jantar no apartamento de uma moça que tinha começado a trabalhar com ela. Eu não gosto de sair, muito menos visitar os outros, mas aceitei ir só para não chateá-la. 

Quando ele abriu a porta do apartamento, mal pude acreditar. Acho que ele sentiu a mesma coisa, no entanto, não demonstrou qualquer reação. Eu também me esforcei para agir com naturalidade. Nem em meus sonhos mais absurdos poderia imaginar que o marido da colega de trabalho da minha esposa fosse ele

Qual era a possibilidade de rever alguém com quem eu cortei relações há mais de dez anos? “Sabia que deveria ter ficado em casa”, pensei.

Quando apertei sua mão, aquela noite veio como um relâmpago na minha memória.

O ano era 2003. Depois de voltarmos do baile de formatura do ensino médio, nós dois pegamos um dos carros do pai dele, um fusca restaurado. O coroa dele era colecionador de veículos antigos. 

Estávamos muito bêbados. Queríamos curtir aquela noite o máximo possível. Afinal, depois daquele dia, cada um iria para o seu canto começar uma nova vida. Éramos amigos desde a primeira série e precisávamos nos despedir com classe.

Ele e eu tínhamos várias coisas em comum, em especial, o amor pelo time do São Paulo. E tínhamos também um cumprimento sacana. Ao apertar as mãos, às vezes ele, às vezes eu, enfiava o dedo do meio na palma da mão do outro. Quando ele fazia isso comigo, sempre o empurrava e dizia: “Para com isso, seu veado”.

O cheiro da costela assada, colocada na mesa pela mulher dele, interrompeu os meus pensamentos. Ela era uma bela morena. Usava um par de óculos que lhe dava uma aparência de intelectual. Tinha tido sorte o filho da puta. Seu menino também era bonito, cabelos negros, cortados no formato de tigela.

Será que ele não pensava na mulher e nos filhos daquele homem quando olhava para sua família? Pensei em como ele era insensível. Já no meu caso, não tinha um maldito dia em que não me lembrava daquele homem.

Enquanto ele falava como era seu trabalho de arquiteto, recordei-me que, naquela noite, era ele quem dirigia. Ouvíamos uma música do Slipknot no volume máximo. A gente gritava junto com a banda.

Ao descer uma ladeira, vimos algo reluzir na rua sem iluminação. Eram faixas refletoras coladas no uniforme de um lixeiro. Ele subia a rua. Acredito que estava voltando para casa. Toda vez que me lembro daquela noite penso em como aquele homem deveria estar cansado.

— Vamos dar um susto nesse sujeito? — ele me perguntou rindo. 

Como eu estava chapado, também ri da ideia e concordei. O som distorcido das guitarras e a bateria frenética do Slipknot davam mais emoção ao que iríamos fazer. “Vamos filho da puta! Todo mundo tem que morrer!”, era o que dizia um dos versos da música.

Ele girou o volante para a esquerda e avançou na direção do homem. Não sei se foi por causa do álcool ou por não ter experiência como motorista, mas ele não conseguiu desviar a tempo e atropelou o cara.

Anos depois, ele bebia devagar uma taça de vinho no conforto da sala de jantar de seu apartamento, com pinturas de paisagens nas paredes e cheiro de desodorizador de ambiente. O cretino perguntou se eu aceitava uma bebida. Respondi que não. Na verdade, queria lhe dizer que, desde aquela noite, nunca mais coloquei uma gota de álcool na boca.

Naquela noite, descemos do carro e vimos o lixeiro inconsciente, caído no asfalto. O sangue dele escorria até a sarjeta. Porém, percebi que ainda respirava. Li no bolso de seu uniforme o nome: “José”.

Não havia ninguém na rua e nenhuma casa construída por perto, pois estávamos em um lote novo de um conjunto habitacional. 

O vocalista do Slipknot continuava gritando no alto-falante que todo mundo tinha que morrer No entanto, nós dois não achávamos mais aquilo engraçado. 

Aquele homem tinha um nome. José. “As pessoas não são um merda, como aquela maldita música dizia”, pensei. 

José. 

Esse nome ecoa na minha mente todos os dias.

Após todos comerem, a mulher dele nos serviu um mousse de morango de sobremesa. Ela e minha esposa, então, passaram a contar fofocas sobre seus colegas de trabalho. Ele prestava atenção nas duas, enquanto eu o encarava. Porém, ele não olhou nos meus olhos nenhuma vez.

— Vamos embora – ele disse.

— Não! Precisamos chamar o socorro.

O desespero nos tornou sóbrios. Foi como se tivéssemos despertado de um sonho.

— Você está louco? O meu pai vai me matar se descobrir isso. Vou perder minha permissão para dirigir.

— Mas ele está precisando de ajuda.

— É o seguinte: eu vou cair fora. Se você quiser ficar aí e ser preso, o problema é seu.

Olhei uma última vez para José inconsciente no chão e entrei no carro. Ele desligou o som e voltamos para nossas casas, sem trocar uma palavra.

Antes de dormir, rezei muito para que alguém encontrasse aquele homem que se chamava José e o socorresse. Pedi a Deus para que a pancada não tivesse sido forte o suficiente para matá-lo. 

No outro dia, porém, ouvi no rádio que José havia sido encontrado morto, já em estado de rigidez cadavérica. A polícia ainda não sabia quais tinham sido as causas da morte, apesar de suspeitar de atropelamento. 

Liguei para ele, que me contou que seu pai estava furioso por causa do amassado no carro e que tinha inventado uma história de que bateu em uma árvore como desculpa. Disse a ele que estava pensando em me entregar à polícia.

— Não, cara! Esquece isso! Ninguém viu nada, sacou? Nunca vão descobrir que foi a gente, a não ser que você abra o bico. Se você fizer isso, acabo com você.

Não falei nada para ninguém e, realmente, nunca fomos descobertos. Dias depois eu me mudei. Fui estudar publicidade em outra cidade, também no interior de São Paulo. Ele foi estudar arquitetura em outro estado. Antes de partir, liguei para ele novamente para me despedir. Só que para sempre, pois não queria mais voltar a falar com ele novamente.

Mas o acaso quis nos reunir outra vez. O assunto na mesa agora era a corrupção na política. A mulher dele passou a falar sobre como era inacreditável a ladroagem no país.

— Eu não sei como um cara desses consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir – ele disse.

Aquilo foi demais para mim. Senti vontade de enfiar um soco na cara daquele imbecil. Pedi licença e me levantei. Fui até a sacada do apartamento e acendi um cigarro. “Como ele tinha a cara de pau de falar aquilo?”.

Enquanto olhava as luzes das janelas dos outros apartamentos, lembrando de que a maior construção da cidade de onde vim era a caixa d’água, ele entrou na sacada. Reparei que ele não tinha mudado muito, apenas engordou um pouco. Eu, por outro lado, já tinha vários fios de cabelos brancos. Ele perguntou se eu tinha fogo. Acendi o cigarro dele com a ponta do meu.

— Sabe… – ele fez uma pausa enquanto tragava.

Ele iria falar sobre aquela noite! Finalmente, poderia despejar na cara dele tudo o que havia guardado há mais de uma década. E se ele quisesse engrossar iria quebrar a cara dele ali mesmo. Não me importava que nossas mulheres e seu filho assistissem a tudo. 

— …eu acho que o São Paulo não vai ser rebaixado neste ano – ele concluiu.

Filho da puta!

— Pois eu não acho – eu disse. Tenho certeza de que vai ser rebaixado. 

Joguei a bituca do cigarro no chão da sacada e a esmaguei.

Retornei à sala e disse para a minha esposa que já estava na hora de voltarmos para casa. Ela e a mulher dele reclamaram que era cedo. Porém, eu disse que estava passando mal. 

Dei um beijo no rosto da mulher dele e baguncei o cabelo do garoto. Ele se ofereceu para nos levar à porta. 

Para manter as aparências, antes de sair, voltei-me para cumprimentá-lo. Ele enfiou o dedo do meio na palma da minha mão.

Olhei para ele e sorri. 

Tive vontade de o empurrar e dizer: “Para com isso, seu veado”. 

Distância (versão do século 21)

Em uma crônica chamada “Distância”, o meu grande mestre Rubem Braga recomendou aos seus leitores que evitassem o amor à distância. 

Na época em que o nosso maior cronista escreveu o texto, o meio mais comum de as pessoas se comunicarem ainda era através de cartas. Como o próprio Braga explicou na época, uma ligação telefônica era muito cara. 

Porém, levando-se em consideração que uma carta demorava dias para chegar, poderia ocorrer que o sentimento apaixonado que a/o remetente tinha quando a escreveu já não existisse mais quando a missiva encontrasse as mãos do(a) destinatário(a).

Por isso, o Braga terminou a crônica com a severa recomendação: “Não ameis à distância, não ameis, não ameis!”. 

Mas, atualmente, o mundo é muito diferente do que era em 1955. A tecnologia encurtou demais as distâncias. Todos têm celulares, redes sociais e aplicativos para falar e trocar mensagens instantaneamente, seja por texto, áudio ou vídeo. Quase ninguém escreve cartas hoje. Com tanta facilidade assim, os namoros à distância se tornaram comuns em nossa época. E muitos se transformaram em casamento. 

Parece algo até meio clichê para um cara meio tímido, meio nerd, como eu, ter encontrado sua esposa pela internet. 

Não sei se posso dizer exatamente que conheci a Jéssica pela internet. Realmente, o primeiro contato que tive com ela foi pelo Facebook. Mas não foi da forma tradicional como esses tipos de relacionamentos começam, em chats ou aplicativos e sites para encontrar uma pessoa perfeita.

Eu já conhecia o irmão dela pessoalmente. Ele era de Manaus e estava morando em Birigui. Éramos fãs de quadrinhos e, por isso, acabamos nos aproximando. Um dia ele disse que tinha uma irmã. Procurei o nome dela na rede social do Mark Zuckerberg e começamos a conversar. Passamos alguns anos nos falando apenas pelo celular. Namorando à distância.

Até que um dia eu desembarquei no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. Lembro-me de como fiquei ansioso ao perceber, enquanto subia as escadas, que em poucos segundos finalmente me encontraria face a face com alguém que parecia que já conhecia pessoalmente a vida inteira. 

Quinze dias depois ela voltou comigo para Birigui. “Namoramos pessoalmente” por dois anos e no próximo mês de julho completaremos quatro anos casados. 

O Braga lá do Céu que me perdoe, mas meu severo conselho para vocês neste Dia dos Namorados é: ameis de qualquer forma, ameis, ameis!

5 graphic novels emocionantes que você não pode deixar de ler

Quem nunca se emocionou assistindo a um filme, ouvindo uma música, apreciando um quadro ou qualquer outra forma de arte?

Mas é possível também chorar, rir, suspirar, ficar revoltado, lendo uma história em quadrinhos?

A resposta é: claro que sim! 

Trago nesta postagem uma lista de cinco graphic novels que me emocionaram muito e que você precisa ler um dia. 

Futuramente, pretendo fazer uma resenha sobre cada uma delas.

1 – “Retalhos” de Craig Thompson

Posso dizer com toda a segurança que existe um Ronaldo leitor de quadrinhos antes e depois de Retalhos. Gostei dessa HQ logo de cara, quando li uma matéria sobre ela em um jornal. É a história autobiográfica do autor sobre o seu primeiro amor, descobertas e frustrações da adolescência. Eu a classificaria como uma graphic novel de formação. Fiquei impressionado como a história de Craig Thompson, passada no frio do estado americano de Wisconsin, poderia se conectar tanto com a minha, na calorenta Birigui, no interior de São Paulo. 

2 – “Maus” de Art Spiegelman

Retratar o horror do holocausto em uma obra de arte é uma coisa complicada. Acredito que nunca conseguirão chegar perto do quão terrível foi esse momento da história. A tarefa pode ser mais difícil ainda em uma HQ com animais antropomorfizados. Porém, Art Spiegelman consegue superar esse desafio ao criar uma das mais emocionantes graphic novels de todos os tempos. Ela conta a história do pai do autor, um sobrevivente dos campos de concentração nazistas. É também uma narrativa sobre a relação quase sempre conturbada entre pais e filhos.  

3 – “Cicatrizes” de David Small

Em uma obra visceral, com alguns toques de fantasia, David Small narra a cirurgia pela qual passou quando criança, por conta de um câncer, que lhe deixou uma profunda cicatriz no pescoço e quase o fez perder a voz. Além disso, o autor fala do difícil relacionamento com sua mãe autoritária e a decisão de sair de casa aos 16 anos para viver de sua arte. Adoro as sequências silenciosas de quadros desta obra. 

4 – “Umbigo Sem Fundo” de Dash Shaw

A separação de qualquer casal já costuma ser algo triste. Mas uma separação  após 40 anos de casado, como é o caso dos personagens Maggie e David Loony, me pareceu mais melancólica ainda. Confesso que chorei um pouco com os últimos quadrinhos… Enfim, voltando ao enredo, o divórcio dos dois reúne novamente pais, filhos e netos. Nesse reencontro, muitas coisas sobre a família vem à tona. Muitas descobertas acontecem. Meu personagem favorito é o caçula Peter. Um solitário, incompreendido e aspirante a cineasta, que é retratado como um sapo. 

5 – “Fun Home” de Alison Bechdel

Nesta graphic novel, a autora nos conta a história da relação dela com seu pai, que supostamente se matou algum tempo depois de ela revelar para a família que era lésbica. O pai de Bechdel é envolto em mistérios. Ninguém sabe, na verdade, se foi suicídio ou um acidente que o matou. Provavelmente, ele também era homossexual, mas nunca assumiu isso. Ela também conta sobre sua infância, os primeiros contatos com livros e a arte e as lembranças que tem da funerária da família.

Quais foram as HQs mais emocionantes que vocês já leram? Escreva aqui nos comentários!

Resenha #4: “Diário de Uma Paixão” de Nicholas Sparks

Eu não sei se concordo com o título em português “Diário de Uma Paixão” para o livro “The notebook”, do escritor americano Nicholas Sparks. Paixão é uma coisa efêmera e muitas vezes só idealizada. O amor, por outro lado, é duradouro e sólido, como o que Noah, protagonista do romance, sente por Allie. O sentimento dele é capaz de sobreviver a distância e ao tempo, que destrói tudo o que vê pela frente. 

A história dos dois começa quando Allie vai passar as férias de verão em Nova Berna, cidade onde Noah mora. Eles se conhecem em uma festa típica de cidades do interior e acabam se apaixonando. Os dois vivem um romance intenso. Porém, Allie retorna para sua cidade ao final da estação. 

Noah envia várias cartas para moça, mas nenhuma delas é respondida. Para tentar esquecê-la e fugir da Grande Depressão, que tem início após o crack da bolsa de Nova York em 1929, ele vai para o norte do país, onde consegue um emprego em um ferro velho. Ele se torna um funcionário muito dedicado e querido pelo patrão.
 
No entanto, ele acaba tendo que ir para a guerra na Europa. Quando retorna aos EUA, Noah fica sabendo da morte de seu ex-patrão, que deixou uma quantia em dinheiro para ele. 

Noah usa esse dinheiro para restaurar uma casa antiga em Nova Berna que tem um importante papel simbólico na história. Durante aquelas inesquecíveis férias de verão, Noah mostra a casa para Allie e diz que um dia irá comprá-la. É nela que os dois perdem a virgindade. 

Quando lê uma reportagem no jornal sobre a restauração que Noah está fazendo na casa, Allie decide retornar a Nova Berna, após mais de uma década, para resolver o que ficou pendente. Entretanto, Allie está prestes a se casar com Lon. 

Enquanto Noah vive uma vida simples, acompanhando o ritmo da natureza e lendo poemas de Walt Whitman, Lon é um advogado bem-sucedido e dedica a maior parte de seu tempo ao trabalho, muitas vezes se esquecendo de dar a atenção devida à sua noiva.

Allie e Noah, enfim, se reencontram. Aos poucos, eles sentem o amor renascer em seus corações. Allie, então, vai ter que decidir com qual dos dois vai ficar. 

[AVISO: a partir daqui pode haver alguns spoilers]

O que contei até aqui nesta resenha faz parte da história passada do casal. O autor usa uma técnica narrativa chamada “in medias res”, ou seja, ele começa o romance pelo meio. 

O primeiro capítulo mostra Noah e Allie já idosos em uma casa de repouso. Eles se mudam para lá após Allie piorar do Alzheimer. Todos os dias Noah lê o seu diário para ela, na tentativa de fazer a esposa se lembrar da história deles. 

Antes da doença evoluir, Allie diz para o marido que vai se recordar sempre que ele fizer isso. Existem dias que ele consegue restaurar a memória de Allie, outros não.

Ao longo da narrativa, ficamos sabendo que os dois tiveram um casamento feliz e que Noah foi um bom marido. 

[Os possíveis spoilers terminam aqui]

O romance é muito fácil de se ler, pois Nicholas Sparks é um narrador muito hábil. É possível terminar o livro em poucos dias ou até mesmo em um único dia. Sparks nos prova que um romance romântico pode ter muita qualidade literária. respeitando o leitor, e abordar questões importantes.

A grande lição que “Diário de Uma Paixão” nos deixa é a devoção e a fidelidade de Noah por Allie, que cumpre a todas aquelas promessas de amor feitas no altar. 

Resenha #3: “Orlando – Uma Biografia” de Virginia Woolf

Tenho um amigo militante dos direitos LGBTQIA+ que sempre me ajuda corrigindo quando escrevo errado a forma de tratamento de pessoas trans. É o Pablo Vittar ou Pablo Vittar? Essa questão é muito debatida nos dias de hoje. Mas penso que em 1928, quando Virginia Woof publicou “Orlando – Uma Biografia”, o assunto ainda deveria ser tabu na sociedade.

Acredito que não deve ser spoiler para ninguém: a grande reviravolta do romance é Orlando acordar transformado em uma mulher, após passar vários dias dormindo. Até então ele era um rapazinho aristocrático, que vivia solitário em uma enorme mansão, ora contemplando a natureza, ora escrevendo poemas. Ou ainda recluso, mergulhado em imensa tristeza por uma paixão frustrada. 

A autora não explica os motivos que levaram a essa mudança fantástica, enquanto ele atuava como embaixador em Constantinopla. O interessante é que, a partir daí, Orlando passa a ser chamado de a Orlando. Virginia Woolf poderia trocar o nome por outro feminino ou até mesmo o tradutor poderia ter optado por Orlanda, o que seria ridículo, convenhamos. Penso que isso tem a ver com a forma que a escritora tratou a questão dos gêneros no livro. 

Uma das coisas que mais me chamou a atenção é que a governanta da mansão da casa avaliou como boa a transformação de Orlando, pois ela gosta da ideia de ter mais uma mulher na casa, para ajudar nos trabalhos domésticos. Por outro lado, o capelão, talvez por um questão religiosa, não gosta muito da mudança. Os cães, porém, reconhecem Orlando imediatamente, sem se preocupar com seu gênero. Seja homem ou mulher, é Orlando em essência que está ali. 

A narrativa nos mostra que a questão de gênero está mais ligada a comportamentos esperados pela sociedade, como o uso de determinadas roupas ou certas atitudes que são consideradas femininas ou masculinas, como chorar (é coisa mais aceitável em uma mulher, por exemplo). Ou seja: o gênero não tem uma relação intrínseca com o sexo biológico da pessoa, mas, sim, com uma construção social, algo que a filósofa e escritora Simone de Beauvoir também iria discutir mais tarde em sua obra. 

TEMPO

Outro tema discutido na obra que merece destaque é o tempo. Nós acompanhamos a vida de Orlando desde a sua vida na corte nos anos de 1500 até os agitados anos 1920.

Sim. Orlando vive mais de 300 anos. Além dele, o escritor (detestável) Nick Greene também continua vivo pelo mesmo período, além do carvalho, onde a/o protagonista vai sempre para admirar a paisagem ao seu redor. A árvore está presente em seu poema “O Carvalho”, o qual carrega consigo durante toda a vida. 

Por meio dos olhos de Orlando nós vemos a transformação do mundo através da passagem do tempo. Em uma das digressões da autora, ela comenta que o tempo está acontecendo em várias camadas ao mesmo tempo e que existem vários “eus”, de várias épocas, convivendo simultaneamente dentro do/a protagonista, sendo apenas comandados pelo “eu” do presente. Muitas vezes, esses “eus” antigos dão as caras na vida de Orlando. 

Como uma boa modernista, Virgina Woolf usa bastante metalinguagem no livro. Os mais de 300 anos de Orlando mesmo só são possíveis por estarmos em uma narrativa ficção.

A narradora se intromete várias vezes no texto, para fazer comentários e o livro mais nos conta do que mostra. Poderíamos até “acordar do sonho ficcional” por conta disso, mas o subtítulo “Uma Biografia” acaba nos mantendo presos ao mundo inventado pela escritora. Esse detalhe faz parecer que a história aconteceu de verdade e que está sendo narrada como a biografia de uma pessoa real. A biografia costuma ter intervenções do autor, como acontece no romance. E aqui temos outra característica cara aos modernos: a experimentação. 

O estilo biográfico, no entanto, não atrapalha em nada o livro, nem o torna enfadonho. Pelo contrário. A narradora nos descreve de forma exuberante a natureza, com muitas imagens, cores e sensações. 

“Orlando – Uma Biografia” é uma leitura saborosa e importante, ainda mais nos tempos de hoje de tanta intolerância, misoginia e homofobia. 

Resenha #2: ‘O Ninguém’ de Jeff Lemire

A minha cidade de Birigui – capital nacional do calçado infantil – não é grande, mas com certeza não é menor do que Boca Larga – lar do maior robalo do mundo – onde se passa a história de “O Ninguém”, uma HQ de um dos maiores artistas e roteiristas do momento, o canadense Jeff Lemire.

Fico pensando que a chegada de um sujeito nunca visto antes por estas bandas, com o corpo todo coberto de bandagens e usando um par de óculos escuros, provocaria bastante comentários entre os mais de 120 mil habitantes de Birigui. 

Agora, imagine só o barulho que esse fato pode causar em uma cidadezinha de apenas 754 habitantes, como Boca Larga, onde praticamente nada de novo acontece? 

O nome do forasteiro é John Griffen. Ele passa praticamente o tempo todo recluso em um quarto alugado. Na solidão desse cômodo, ao retirar as bandagens em uma sequência magistral, o leitor descobre que ele é invisível.

Porém, esse não é o único segredo que Griffen quer guardar se isolando em Boca Larga. Mas nada de spoilers…

Uma adolescente chamada Vickie se aproxima do novo morador para descobrir a verdade que se esconde por trás daquelas faixas.

No entanto, quando os pacatos habitantes de Boca Larga suspeitam que um crime foi cometido na cidade, iniciam uma verdadeira caça ao estranho, mesmo sem provas concretas contra ele. 

Aliás, nem que se tivessem provas contra Griffen, que não é nenhum santo, eles poderiam fazer justiça com as próprias mãos, como se fossem o juri, o juiz e o executor, tipo um Juiz Dredd da vida. 

H. G. WELLS

“O Ninguém” é uma releitura do romance de ficção científica “O Homem Invisível” de H. G. Wells para os dias de hoje.  A graphic novel mostra como o ser humano pode cometer as piores injustiças quando se reúne em turba para perseguir pessoas que classificam como “estranhas” e/ou que consideram a razão de todos os seus problemas.

De Jeff Lemire, eu já tinha lido “Nada a Perder”, que é uma graphic novel muito boa também. Porém, acredito que “O Ninguém” seja um trabalho superior.

Quem quiser aprender como narrar uma história em quadrinhos tem nesta obra um verdadeiro manual. 

O autor sabe aplicar um tom melancólico à cidade por meio de sequências silenciosas, com muitas imagens de neve e uma sensação de frio obtida pela mistura das cores azul, preta e branca. Seus desenhos parecem simples, mas não se engane. Eles são muito complexos e carregam bastante expressividade. 

Gostei muito da técnica usada por Lemire que consiste nos recordatórios contarem uma história narrada por Vickie, que vai se passar em nossa imaginação, enquanto os quadros mostram outras cenas. 

É preciso ressaltar que a editora Pipoca e Nanquim fez uma edição primorosa. O posfácio de Alexandre Callari fecha a obra com chave de ouro.

Recomendadíssimo. 

Resenha #1: ‘Penumbra’ de André Vianco

Quem nunca ouviu alguém falar aquela velha frase: “a única certeza que temos na vida é que vamos morrer”? A morte é a única coisa com a qual não devemos teimar, correto? Afinal, todos vamos morrer. Porém, Lana, a teimosa protagonista de “Penumbra”, do escritor André Vianco, insiste em não aceitar que a vida chegou ao fim e se recusa a ir em direção à luz. 

Em seu leito de morte, ela prometeu que nunca se esqueceria da mãe. Mas, em Penumbra, o lugar para onde Lana foi após falecer, não se esquecer do mundo dos vivos é um grande problema. A cada lembrança de Lana, relâmpagos surgem no céu escuro. Na verdade, esses clarões significam que atravessadores descobriram a localização da menina e estão indo ao seu encontro.

Os atravessadores usam a energia de crianças como Lana para ir ao mundo dos vivos rever seus entes queridos. Eles são crianças que se tornaram criaturas monstruosas presas à Penumbra, por se recusarem a deixar suas lembranças para trás e começarem uma nova jornada no post-mortem.

Se Lana não parar de ser teimosa, pode acabar se juntando a eles. Cheia de energia, ela é ideal para ser usada pelos atravessadores, que em sua teimosia egoísta, acabam atormentando os vivos, os quais também não conseguem seguir em frente no nosso mundo por causa das lembranças dolorosas.  

Para garantir a segurança das crianças mortas durante a passagem, existe em Penumbra a Babá Osso Duro. Ela é uma mulher de rosto cadavérico e que, carregando um trabuco, não desiste de cumprir sua missão. Pelo menos, não até encontrar a “menina certa” e poder partir em paz.

No entanto, acredito que ela nunca teve que encarar em sua morte um desafio tão grande quanto Lana. Se eu fosse a Osso Duro, já tinha jogado Lana aos atravessadores na segunda vez que ela insistisse em recordar o rosto da mãe. 

Acompanham Lana e a babá o medroso Jorge e um coelho comilão, que vai ficando cada vez maior no decorrer da caminhada. Quem já fez os cursos, assistiu às palestras ou webinários do André Vianco sobre storytelling, vai ficar feliz ao encontrar neste livro algumas “mensagens” para quem também ama escrever histórias.

A escrita do André Vianco é bastante fluida. O leitor saboreia cada palavra com gosto. É possível terminar a leitura em apenas um dia por conta de seu ritmo agradável. A simbologia e a criação do mundo inconfundível de Penumbra também são fascinantes. 

Obviamente, não vou revelar o final. Posso dizer apenas que ele é surpreendente e que os mais sensíveis podem até derramar algumas lágrimas. 

Bio

Ronaldo Ruiz Galdino nasceu em novembro de 1985 em Birigui-SP.

Começou a se interessar por histórias ainda na infância, lendo quadrinhos, livros infantis e ouvindo os contos que seu pai narrava.

Com cerca de dez anos, passou a escrever suas primeiras HQs. Na adolescência, criou alguns contos, bem como as letras de música para sua banda de rock e uns poemas melosos para suas paixões platônicas.

O amor pela escrita foi fundamental na hora de escolher a faculdade de jornalismo, que cursou na Unitoledo, em Araçatuba, entre 2006 e 2009.

No último ano da faculdade, ficou em segundo lugar no Concurso de Crônicas Universitárias da Academia Araçatubense de Letras. Um ano antes, expôs as tiras em quadrinhos de seu personagem Capitão Brasil no Salão de Humor de Piracicaba.

Sua carreira na imprensa teve início como estagiário no Jornal de Birigui e Folha da Região. Após se formar, trabalhou como repórter de rádio e como assessor de imprensa em uma agência.

De 2012 a 2019 foi repórter na Folha da Região, em Araçatuba, cobrindo diversas editorias: cotidiano, polícia, economia, cultura e política.

Como escritor, recebeu menções honrosas nos Concursos de Contos da Cidade de Araçatuba de 2011 e 2015. Teve contos selecionados para as antologias “O Último Grão de Areia” (Lura Editorial) e “Inominável: contos de horror cósmico” (Editora Pará.grafo), que serão publicadas em 2020.

Atualmente, voltou a atuar como assessor de imprensa em uma agência de Birigui. Escreve crônicas quinzenalmente para a Folha da Região e semanalmente no Wattpad, onde também posta contos.  Também é autor na revista Literomancia, onde publicou o conto “Amor Elétrico”, na sexta edição.

Neste blog, o autor publica resenhas de livros e HQs, contos e crônicas.